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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Usuários de Crack: Os novos Zumbis

Fala-se muito, nos diversos meios de comunicação - televisão, internet, jornais impressos - na calamidade atual representada pelo número cada vez maior de usuários de crack, maconha e outras drogas ilícitas. Todavia, a sociedade e os governos ainda não atentaram para o perigo que tende a ganhar mais corpo, ao deixarmos de lado uma política séria de prevenção às drogas.

Há anos temos convivido com notícias sobre esses “coitados”, arrebanhados por traficantes, estes monstros que não medem esforços para corromper nossos jovens, levando-os a uma situação em que podem ser considerados iguais a mortos vivos. Sim, a encarnação de verdadeiros zumbis, aqueles seres catatônicos retratados em filmes de horror, perambulando pela madrugada da vida, despertando em completo estado de torpor. Uma tragédia que ganhou a vida real. A vida, imitando a arte.

Sim, aprendemos a conviver com isso, mas não deveríamos. O noticiário continua repleto de crimes hediondos ou não, praticados por esses que a sociedade taxou como párias, que não enxergam nada além dos meios para adquirir sua droga. Matam-se os pais, irmãos, amigos, idosos. Não importa o grau de parentesco, afinidade ou respeito; são empurrados na vala do desespero pela ânsia do consumo da única coisa que alimenta e dá sentido ao seu cotidiano. Corroídos pelo tóxico, matam e se matam para adquirir o veneno. Uns caem diante das armas de fogo de policiais combatentes do crime; todos, sem exceção, sucumbem ao embarcar numa viagem - na maioria das vezes – sem volta.

“Caraca!”, como dizem os jovens de hoje. O que vamos vivenciar mais? Por acaso esquecemos que, apesar de tudo, são irmãos nossos, pertencem à nossa mesma raça (des)humana, doentes do corpo e do espírito? Onde estão os investimentos em projetos sociais e programas de saúde, tão alardeado pela propaganda pública? Precisamos de iniciativas concretas de socorro a juventude, não de mais e mais promessas, para tirá-la das garras de um negócio cada vez mais lucrativo, ilícito e mortal, que movimenta milhões de dólares aqui e em todo lugar. Sem prevenção, caminhamos para o que os profetas de sempre e de última hora chamam de “final dos tempos”.

A juventude pede socorro. Mães choram a morte dos filhos do crack. Enquanto isso, a sociedade finge que não é com ela, “representantes do povo” – qual povo? - deixam sempre para depois, e todos fazemos de conta que o problema está na casa do vizinho. Os vampiros estão à solta, sugando nossas forças a cada tragada, fazendo fumaça do futuro que um dia ousamos sonhar.

Araimitan Paes Leme - Escrivão de Polícia – Lotado no Posto Policial do HUGO

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